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Editorial: Seis dias de manifestações que gritam ‘BASTA’, com destino imprevisível

junho 18, 2013 11:06 pm by: Category: Brasil A+ / A-

Foto: Crédito www.operamundi.uol.com.br Confronto ontem em Brasília
Texto: Gláucia Poppe – jornalista e editoramaniifestacacao brasilia_credito operamundi.uol.com.br

Governos e analistas atônitos, a verdade é que ninguém esperava que o “Movimento Passe Livre” tomasse esta proporção, estendendo-se para muitas capitais brasileiras. Dizem estes, que não sabem os motivos, mas o povo sabe, e são eles, resumidos no que se chama ‘ponto de saturação’.
O povo que vem sendo ‘cutucado’ com inflação, falta absurda de segurança, corrupção de ‘mensalão’, de ‘fichas sujas’, etc. Aqueles que foram aderindo aos manifestos, delegados insatisfeitos com salários, movimento dos ‘Sem teto’, movimento dos profissionais em greve da Saúde, o povo que se revoltou contra os excessos da PM – Polícia Militar, e os gastos sem ‘limite’ com as ‘Copas’ (das Confederações e do Mundo), trânsito caótico, metrôs e ônibus lotados como latas de ‘sardinhas’, e logo, mais reclamações legítimas virão, são uma ‘bola de neve’ que não pára de crescer.
E, os governadores irredutíveis, de São Paulo e do Rio de Janeiro, Geraldo Alckmin (PSDB) e Sérgio Cabral (PMDB), tentando dar conotação ‘política’, e o prefeito de São Paulo, Haddad (PT), também irredutível, estão piorando o ‘clima de manifesto’, que tende a crescer. Um movimento de “BASTA” articulado pelas redes sociais, com componentes ideológicos, que não tem nada de confuso. O povo só está avisando que “Se cansou” e que não está disposto a manter a fama de passivo, conhecida do brasileiro.
Os desdobramentos possuem um motivo. Indústria sucateada, empresas no ‘gargalo’, povo sofrido, e não basta mais só trabalhar para o Brasil dar certo. País cheio de corrupção, onde o povo trabalha para pagar impostos, que retornam em baixa proporção e qualidade de serviços.
E, se nos manifestos, a maioria está se mantendo pacífica, parte está na linha do vandalismo. Sempre, em movimentos, aparecem arruaceiros. Porém, também há a revolta reprimida, de quem não vê saída, e enfurece, quebrando o que vê pela frente. Ontem, pelo Brasil, cerca de 700 mil pessoas, em vários estados. Hoje, a movimentação exigiu novamente o Batalhão da Tropa de Choque, pois inicialmente pacíficos, a situação mudou e, parte dos manifestantes estão ateando, novamente, fogo à lixeiras e veículos, quebrando o que está pela frente, pilhando lojas – uma situação de caos.
E, quem não se manifesta, fica também, refém da situação, preso em congestionamentos. Ontem, em São Paulo, do Largo da Batata, indo para a Ponte Estaiada, e se dividindo de um lado para a Avenida Paulista, e de outro, para o Palácio do Governo no Morumbi. Parou tudo – Marginal Pinheiros e avenidas adjacentes. No Rio de Janeiro, os manisfestantes vandalizaram nas ruas, acuaram 70 PMs dentro da Assembléia Legislativa, e muito mais. Em Brasília, tentaram invadir o Congresso Nacional,aos milhares.
Ao que a grande mídia televisiva cobria, dava para estimar mais de 700 mil manifestantes em todo o País. E, parece que só sobrou, no respeito da opinião pública, o respeito ao Supremo Tribunal Federal e do tribunal Superior Eleitoral, que vem dando lições de ‘cumprimento à risca’ da Constituição Brasileira.
Mas, infelizmente, esta postura correta e corajosa dos ministros do Judiciário, não conseguiu fazer outros escalões agirem de forma a atender as verdadeiras necessidades do povo brasileiro. Copa das Confederações, Copa do Mundo… se era pra ser “Pão e Circo”, não funcionou. Teve efeito contrário.
O povo, saturado, não é o mesmo. As redes sociais, deram a forma de se unir, e de se organizar contra desmandos, erros, negligencias e descasos históricos no Brasil. O povo está realista, não se alimenta de vaidades, e sim, de comida no prato. Quer casa, quer comida, quer emprego, quer transportes. Deu todo o tempo de sua tolerância, para que se chegasse a um termo razoável, mas nem se chegou perto disto. E, vem o governo federal dizer que está tudo bem? É só ligar as televisões (algumas ‘quebrando’ e demitindo ‘em massa’), para ver se isto é verdade. Na França, num dado momento de abuso, houve a ‘Queda da Bastilha’, com a manifestação de um povo sofrido e faminto.
No Brasil da ‘utopia’, tudo é maravilhoso. No Brasil da ‘realidade’, o bandido tomou conta, o povo se fecha em casa, e ainda assim, esta é invadida, invadem consultórios queimando pessoas, o emprego se esvai, pois as empresas não estão aguentando os encargos. A ‘bola de neve’ só poderá ser realmente estancada, se houver seriedade na administração dos governos federal, estaduais e municipais. Caso contrário, em uma análise fria da situação atual, a tendência é piorar. Promessas, não resolverão. Deverá acontecer a ‘mea culpa’ por parte dos governos, e sair pra dar soluções urgentes, que consigam estancar os manifestos, que são legítimos.
Agora, com a ONU – Organização das Nações Unidas – e a ‘Anistia Internacional’ acompanhando, a coisa muda.
E, os mercados financeiros que não deram um sinal de alerta, já estão em alerta, claro!
A massa popular levantou a sua voz, e quer reestruturar o Brasil. Já houve uma desmontagem do governo civil-militar, na década de 1980, quando Florestan Fernandes e outros intelectuais, alertaram que não bastava combater a ditadura, pois se manteria a repressão através da violência policial, que se vê agora.
De um lado, a polícia precisa garantir a preservação do patrimônio público e privado, a integração física de toda a população e o seu direito de ‘ir e vir’. Policiais que também estão insatisfeitos… Mas, de outro lado, a evolução dos erros crescentes e da corrupção, agora ao enfurecer o povo, não existe um aparato policial preparado para enfrentar o que era, até então, inusitado – a rebelião popular que está se instaurando no País.

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